PS/Açores quer frente unida para proteger a agricultura açoriana e garantir futuro aos produtores

PS Açores - Há 4 horas

O Grupo Parlamentar do PS/Açores (GPPS) defendeu hoje, na sequência de uma reunião com a Associação Agrícola da Ilha Terceira, a criação urgente de uma frente unida de proteção da agricultura açoriana, face aos desafios crescentes que o setor atravessa e à ausência de uma estratégia clara por parte do Governo Regional.

O líder do GPPS, Berto Messias, defendeu que esta frente unida “deve envolver eurodeputados, o Governo Regional, as associações de produtores, as indústrias, a Assembleia da República, o Governo da República e as instituições europeias, num esforço concertado para valorizar e proteger a produção açoriana”.

O socialista sublinhou que a recente redução do preço do leite pago ao produtor, anunciada já no início do ano – altura em que os agricultores estão a planear investimentos e a estruturar a sua atividade – veio agravar as dificuldades do setor. Embora reconhecendo que a definição do preço é da responsabilidade das empresas, nomeadamente da Unicol, o socialista considerou que esta decisão “não é uma boa resposta à atividade agrícola”, tendo em conta o peso estratégico do setor na economia da Terceira e dos Açores.

Para o PS/Açores, a redução do preço do leite surge num contexto particularmente exigente, marcado pela revisão da Política Agrícola Comum (PAC), pelas indefinições no âmbito do POSEI e pela falta de compromissos claros ao nível europeu. “A isto soma-se a inexistência de uma visão estratégica regional para o setor, o que gera incerteza e até alguma desesperança entre os produtores”, acrescentou.

“O que se impõe é que o Presidente do Governo Regional sente à mesma mesa, com regularidade, os representantes dos agricultores, as indústrias e todos os intervenientes do setor, para definir caminhos claros para o futuro”, afirmou Berto Messias, alertando que está em causa “um dos principais motores da economia dos Açores”.

O líder parlamentar socialista recordou ainda que o Governo anunciou a criação de um fundo de garantia para proteger os agricultores em situações de quebra do preço do leite, mas que esse instrumento nunca foi concretizado. “Há anúncios atrás de anúncios, mas falta concretização e credibilidade”, lamentou.

“Há precisamente um ano, quando o preço do leite não sofreu descida, o Presidente do Governo assumiu publicamente o papel de moderador, afirmando ter sido determinante para evitar essa redução”. Se nessa altura o Presidente reivindicou para si o mérito de a descida não ter acontecido, hoje, perante a redução do preço, impõe-se perguntar onde está essa capacidade de intervenção”, afirmou, defendendo que o Governo não pode estar presente apenas quando os resultados são favoráveis e ausente quando surgem dificuldades.

Berto Messias concluiu reafirmando a “total disponibilidade” do Grupo Parlamentar do PS/Açores “para contribuir para soluções estruturais e sustentáveis”, defendendo “coragem política e liderança ativa do Governo Regional, sob pena de se comprometer de forma irreversível um setor crucial para o desenvolvimento económico e social dos Açores”.

 

Angra do Heroísmo, 13 de fevereiro de 2026